Muitas vezes me deparo com um grande dilema: devo operar opções cobertas do papel da moda, aqueles que todo mundo está operando e que possuem mais prêmio ou devo me manter fiel aos papéis que eu acompanho de perto para não cair em uma armadilha?

brown wooden mouse trap with cheese bait on top

Eu penso isso geralmente quando faço lançamento coberto de puts, que na minha cabeça funcionam da seguinte forma:

  1. Tenho caixa e tem uma ação que quero muito comprar no preço que ele está. Lanço uma put ATM, embolso o prêmio e se der exercício, ok. Geralmente nem monitoro mais esse lançamento.
  2. Tenho caixa, tem uma ação que eu estou namorando mas que não quero desesperadamente agora, mas que estaria mais que ok tê-la na minha carteira por um preço pelo menos uns 5% abaixo do preço de tela. Quero mais rentabilizar o caixa do que comprar a ação.

A alternativa 2 é onde eu geralmente lanço sem querer ser exercido, e é aí que mora o perigo.Participo de alguns grupos de Telegram (do César Frade que é aberto e dos alunos do Double Put Double Call do Clube do Pai Rico) e é comum eu ver posts de pessoas que estão operando ações que estão na moda (ex: Cogna, JHSF, Cielo) conseguindo prêmios às vezes duas ou três vezes maiores das ações que acompanho mais de perto.

Aí vem o capiroto e fala baixinho no seu ouvido: “por que não lançar desses papéis e ganhar mais dinheiro?”

Por que resistir à tentação?

Primeiramente, nada contra quem decide operar um papel diferente cada exercício. Na verdade. saiba que eu admiro essas pessoas. Admiro e invejo, mas é aquela inveja boa.

Geralmente não é o que eu gosto de fazer, pois eu gosto de estudar a empresa antes de tê-la na carteira. Quais são os fatores que interferem no preço da ação no curto prazo? Há eventos importantes para a empresa até o vencimento das opções? Como eles podem interferir no preço das ações? Há divulgação de resultado antes do vencimento? Quais são as expectativas? Como a empresa e o setor estão indo no trimestre?

Essas são algumas das questões na esfera mais fundamentalista que eu me pergunto antes de fazer uma venda coberta, seja de put ou call. Na venda coberta de call é mais fácil para responder essas perguntas, pois já possuo as ações e acompanho as empresas mais de perto.

No caso de Cielo, por exemplo, eu não sei as respostas para as questões acima. Entender melhor o cenário da empresa para lançar uma put que eu nem quero tanto assim ser exercido? Preguiça!

Prefiro gastar esse tempo procurando o exato momento de fazer lançamento numa empresa que acompanho mais de perto.

Não existe almoço grátis

Por que uma put OTM da ação A paga o triplo da put da ação B mesmo que tenham a mesma distância, por exemplo, 10%?

A resposta para essa questão é volatilidade! Lembra do post sobre as gregas? Pois é! Você está lançando opção de uma ação bem mais volátil. Isso aumenta o seu prêmio, assim como a sua probabilidade de ser exercido. There is no free lunch!

Lembra que não faço questão de ter a ação exatamente agora? Pois é!

Tranquilidade

Eu lanço opções para encher o bolso e ainda assim dormir com tranquilidade. Estou dizendo que nunca fiz? Definitivamente não. Mas a qualidade do meu sono é maior com os papéis que eu realmente quero ter em carteira.

Respeito quem vai atrás de quem está pagando mais. Até entendo. Mas prefiro correr riscos apenas nas coisas que eu entendo (ou acho que entendo – vai saber!).

E você? Só lança dos papéis que quer ter em carteira ou vai atrás de quem está pagando mais?

19 Comentários

  1. Eu tenho lançado puts OTM de papéis que conheço bem, mas apenas para embolsar o prêmio, e não para ficar com a ação. Se tudo der errado – ação cair demais e não for possível rolar – e eu for obrigado a ficar com o papel, estou coberto por outras ações. Meu risco maior é desequilibrar a carteira.

  2. Peter, se faço a venda coberta de call pensando, exclusivamente, em rentabilizar uma carteira de ações para o longo prazo; o ideal é recomprar a opção vendida perto do vencimento ou deixar chegar o vencimento?

  3. Nesse caso, vejo dois vieses que orientam a tomada de decisão: o especulador e o investidor. No teu caso, é o investidor, e no caso daquele que compra os ativos que estão “na moda”, que cujas opções estão pagando prêmios bem mais altos, é o especulador! Ambos válidos, desde que saiba realmente o que está fazendo, ou seja, conheça e esteja preparado para os riscos inerentes a cada tipo de operação!

  4. Concordo! So opero em ações que eu já tenha ou faça questão de ter. A vida fica mais fácil e posso focar meu tempo e esforço no que realmente importa: colocar mais dinheiro p dentro

  5. Começando com essas operações também, bem pequeno ainda. Minhas maiores dúvidas são:

    1. Melhor momento pra lançar, estou lançando logo após o vencimento da série anterior, pra pegar mais gordura. Mas notei que antes ainda, quando a série anterior não venceu o prêmio é ainda maior… Deve haver um momento ótimo risco x retorno, não?

    2. Se ação explodir pra cima, recomprar depois do exercício ou recomprar a opção antes?

    Acho importante já ter as respostas na cabeça antes pra não fazer m… na hora do sufoco, mas confesso que não sei qual a melhor estratégia

  6. Você conhece alguma ferramenta/site que se consiga ver um ranking em tempo real das opçoes com as maiores volatilidades implícitas no momento? Obrigado

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