Nos últimos quatro anos, a bolsa de valores viu o número de investidores pessoa física passar de 564.024 para mais de 2 milhões. A evolução desse número é assustadora. Veja o gráfico abaixo com dados desde 2002.

Fonte: Peter Research/ B3

Quando Peter olha para esse número, olha sua trajetória como investidor até aqui, uma pergunta vem à sua cabeça: o investidor pessoa física é bem-vindo à bolsa de valores no Brasil?

A resposta é: NÃO!

A bolsa de valores e reguladores de mercado não fizeram questão alguma de dar as boas vindas aos novos participantes.

O investidor pessoa física está na bolsa de valores de intrometido e teimoso que é. Na opinião do Peter, são vários os fatores e alguns absurdos que fazem desse investidor um herói quando decide entrar neste mercado. Esses são os principais fatores;

  • Investidor desqualificado: a CVM impede a pessoa física comum de ter acesso aos melhores investimentos disponíveis no Brasil e no mundo.
  • Impostos: fundos x clubes de investimento x PF – pessoa física paga mais impostos.
  • Gerenciamento de riscos: corretoras atrapalham o investidor que busca um caminho mais seguro.

Espero que o leitor não veja esse post como vitimismo. Todos esses novos CPFs na bolsa deveriam saber a regra do jogo antes de entrar no mercado. Porém, algumas coisas parecem existir apenas para atrapalhar o desempenho de investidores individuais.

Os pontos acima são os que Peter pretende discutir nessa série de posts sobre como o mercado de capitais brasileiro, na forma que funciona hoje, é cruel com os investidores comuns e faz de tudo para impedir que estes consigam uma boa rentabilidade.

Peter acredita que há muito mais desafios do que os listados acima e gostaria que você o ajudasse nessa jornada. Quais os outros desafios e injustiças você, também pessoa física, percebe em nosso mercado?

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23 Comentários

  1. Muito bom Peter, só não entendi direito a parte do gerenciamento de risco mesmo. Tb acho que PF não é muito bem vinda na bolsa pela estrutura, mas tem bastante gente boa chegando. Por mais que pessoal critique os educadores financeiros, antes não tinha nada.

    1. Oi, Rafael. Eu irei entrar mais nesse assunto, mas em alguns grupos e sites da internet tenho visto gente que tá começando já fazendo day-trade (nada contra, mas eu não faço e não é algo para iniciante). Culpa do investidor? Sim. Mas as próprias corretoras instigam isso. Aí entra uma das sacanagens com a PF. Se eu não tiver R$ 1 milhão em investimentos, eu não posso investir no Google, Amazon, Disney, Netflix porque eu não sou um investidor qualificado. Mas eu posso entrar alavancado em day-trade. Faz sentido para você?

      Quantos aos educadores financeiros, muita gente torce o nariz para eles. Eu acho o trabalho que eles fazem FANTÁSTICO. Sabe por quê? Eles explicam as coisas de uma forma que leigo pode entender, coisa que muito profissional de mercado não consegue fazer.

    2. Oi, Peter!

      Entrei na bolsa no ano passado, em agosto mais precisamente.
      Confesso que é um mercado onde exige muita disciplina e conhecimento tanto para quem inicia como para quem se mantem nele.

      Embora existem muito canais de informações eu ainda percebo que as informações não são acessíveis ao grande público, ou seja, as sardinhas, como dizem no jargão. Eu mesmo demorei mais de 3 meses para entender um pouco sobre isso. Quando me perguntam sobre bolsa de valores o primeiro passo que digo é estudar seu funcionamento e alerto aos riscos.

      Sempre fui uma pessoa muito pé no chão e sempre indo aos poucos e penso que isso ajudou me muito no começo para entender melhor toda a dinâmica.

      Penso que a Bolsa de Valores e Reguladores poderiam adotar uma linguagem mais acessível para estes novos investidores. Digo isso no começo mesmo porque depois vai se adaptando como todo aprendizado.

      Abraço,
      Marcelo

  2. Por mais que hoje encontramos muito conteúdo para estudo (pago & gratuito), ainda assim, como em qualquer segmento a quantidade de informação atrapalha, a falta de tempo da maioria das pessoas em peneirar, estudar e consumir todo esse conteúdo da forma correta prejudica muito o novo investir.
    O pior dessa realidade é tornar a bolsa num jogo de cassino, onde o investidor novo precisa contar mais com a sorte do que com a qualificação.
    Abraço !!

    1. Não poderia concordar mais. Sinceramente, entrar na bolsa seguindo dicas é uma lástima. Hoje tem muito conteúdo gratuito de qualidade e casas de research a preços bem acessíveis.

      1. Interessante o artigo e aproveitando o que o Raone falou, eu estava analisando esses dias: Vc tem que estudar (N assuntos), e até mesmo fazer cursos, porque não dá pra chegar de páraquedas. Isso é fato. Agora minha curiosidade: O cara está estudando, entendendo os conceitos, fazendo cursos e tudo mais, mas infelizmente a falta de tempo(por exemplo o seu trabalho) não permite que as 10h ele abra seu home broker e veja onde investir. Na hora do almoço, os poucos minutos que tem, ele abre o Home Broker e vê que a empresa XPTO está com -0,98%. Ele vai em busca de informações mas analisa de forma superficial o que pode fazer tomar uma decisão equivocada. Depois do dia de trabalho, lá pelas 18h ele consegue abri seu HB, mas já foi, a Bolsa está fechada.
        Então seu artigo é muito interessante e concordo, mas somada a falta de tempo das pessoas, mesmo que elas se dediquem a estudar finais de semana, ou depois do trabalho, como evitar esse jogo de cassino, ou um investimento equivocado por analisou superficialmente? Concordo também que seguir dica é lastimável, mas como uma pessoa desse perfil, pode investir na bolsa com tranquilidade e segurança? Ah não defendo aqui seguir dica, mas uma pessoa com perfil que mencionei acima, ele corre um grande risco de querer atalhos seguindo dicas e com isso se dá mal. Não sei se fui claro na minha colocação.
        Abraços!

      2. Alan, concordo com todos os pontos que você disse.
        Para mim, se você não tem tempo para estudar com profundidade, fundos de investimento são uma ótima alternativa.
        Mercado de ações requer estudo e disciplina. É um processo longo. Qualquer livro que você lê sobre algum grande investidor eles dizem estudar até hoje.

        Falo com amigos que me perguntam: não tem tempo, invista em fundos de ação. Quer investir por conta própria mesmo assim: 90% fundos, 10% ações.

  3. O grande problema que eu vejo e essa questão de oba oba que o mercado está bom a taxa selic está baixa , não deixa de investir em renda variável e burrice.Eu vejo quando tem esse euforia que acontece no mercado agora como no inicio do ano que começa o mercado a cair e quando cae o desespero dessas pessoas que não estão preparadas que apostam tudo sem nenhum estudo e controle de risco , só pensando nessa mídia que não está nem ai para as pessoas físicas e não mostra as regras desse jogo que não é fácil .Portanto eu deixo uma dica : ESCUTE CERTAS PESSOAS E ESTUDE MUITO E NÇAO VAI N AONDA DO OBA-OBA, ia esquecendo esse cara desse blog é o CARA , ajuda muito gente com seu conteúdo e aprendizados e os problemas tb

    1. Concordo, Cássio. É inevitável que a pessoa física agora não terá opção a não ser aumentar um pouco seu risco afim de ter um rendimento um pouco melhor, porém, não dá para achar que é só entrar na bolsa e tá resolvido. Qual será o processo de decisão? Qual ação comprar? Qual o tamanho do risco? Vale lembrar que para ter RV não necessariamente você precisa comprar suas próprias ações. Quem não tem conhecimento ou tempo para analisar talvez seria melhor delegar isso a um fundo de investimento, concorda comigo? Obrigado pelo elogio!

  4. Peter,
    Um assunto extenso, nasce na cultura, educação financeira do povo e vai até grande escalão … como por exemplo: por que só uma bolsa ? Certa que a tecnologia e boas mentes trabalham para romper as barreiras.

    1. Concordo plenamente. A B3 é uma boa bolsa, mas é cara, falha na divulgação de dados para os investidores e etc. Será que isso aconteceria se houvesse mais uma bolsa? Com concorrência teríamos muito a ganhar.

  5. Olá Peter, parabéns pelo trabalho.

    Sabe de algum estudo comparando PF x Clube de Investimento X Fundo (Exclusivo)?

    Queria entender melhor a diferença entre eles e quando passa a valer a pena abrir um Clube/Fundo!

  6. Peter, esses 2 milhões não são de CPFs únicos. Se a pessoa tem mais de uma corretora/banco, ela entra mais vezes na estatística.

    Na própria planilha da B3 que você cita na parte “Evolução Pessoa Física” fala o seguinte:

    “Obs1: Critério considera o CPF cadastrado em cada agente de custódia, ou seja, pode contabilizar o mesmo investidor caso ele possua conta em mais de um corretora.”

    Ou seja, essa explosão de “novos” CPFs pode ser em parte devido aos travamentos de HB de algumas corretoras e essas pessoas abriram contas em outras corretoras em busca de estabilidade. Entrando novamente como “novo” CPF nessa estatística da B3.

    1. Oi Joe

      Sim, não são CPFs únicos. A B3 até onde eu procurei não divulga os dados de CPFs únicos. Claro que há CPFs com contas em mais de uma corretora, eu mesmo tenho conta em duas.

      Porém não há como negar que houve uma explosão. Verificando o gráfico do post, multiplicamos por 4 (atualmente já deve estar em 5 vezes). Isso demonstra uma procura enorme da pessoa física por bolsa de valores.

      Mas concordo que seria ótimo se a B3 disponibilizasse CPFs únicos.

  7. “corretoras atrapalham o investidor…”, Isso é muiito verdade! Chama o suporte para tirar dúvidas e é mal atendido e recebe respostas que não te livram do erro, e as vezes é até induzem ao erro. Esses dias tive que ler o seguinte: “faz o inverso” e o chat fechou na sequência.

    Inverso do que se eu nem sabia qual era o verso?!

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